Karmann Ghia Conversível: O Único Volkswagen Nacional de Fábrica que Virou Lenda e Joia Rara de Colecionador

O Sonho Brasileiro que Veio com Atraso

Demorou para a Volkswagen brasileira ter seu próprio Karmann Ghia conversível. Se na Europa ele já encantava desde 1958, o modelo nacional só chegou uma década depois, em 1968. Mesmo assim, sua chegada foi um marco, transformando-se no único Volkswagen conversível de fábrica produzido no país, um verdadeiro ícone automotivo.

A produção era uma parceria especial: o chassi e a mecânica vinham da fábrica da Volkswagen, na Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), e seguiam para a Karmann, instalada nas proximidades, responsável pela carroceria e montagem final. Essa colaboração resultou em um carro diferenciado, que se tornou um “fora-de-série de fábrica”, como explica Paulo Cesar Sandler, historiador e autor de livros sobre clássicos nacionais.

O Karmann Ghia conversível brasileiro, feito em pequenos lotes, se destacava. Seu teto, embora mais simples que o do modelo alemão, possuía uma estrutura própria e dispensava forração interna. A chegada deste modelo ao Brasil foi uma celebração para os amantes de carros, e sua exclusividade garantiu um lugar especial na história automotiva nacional.

Evolução e Detalhes que Encantam

Inicialmente equipado com o motor 1200 de 36 cv, o Karmann Ghia nacional recebeu um upgrade significativo em 1967, com a adoção do motor 1500, que entregava 52 cv. Essa atualização trouxe mais fôlego ao esportivo, que já havia recebido melhorias estéticas em 1968, como lanternas maiores e um novo painel.

O painel, aliás, ganhou um revestimento plástico que imitava jacarandá e um novo design, embora ainda sentisse falta de um conta-giros. Os botões e comandos de baquelite, antes brancos, passaram a ser pretos, um detalhe presente no exemplar 1969 fotografado, na cor vinho.

No interior, o espaço no banco traseiro é limitado, ideal para crianças ou bagagem. A ausência do teto rígido exigiu reforços estruturais nas portas e na base da capota, garantindo a segurança e a rigidez do veículo. Recolher a capota, apesar da janela traseira maior, exige um pequeno ritual, incluindo baixar o zíper da janela.

Um Legado de Prestígio e Valor

Apesar de a QUATRO RODAS nunca ter testado o modelo conversível, estima-se que seu comportamento dinâmico fosse equivalente ao da versão cupê. Em 1970, o Karmann Ghia ganhou ainda mais força com a adoção do motor 1600 de 60 cv e freios a disco dianteiros, consolidando sua performance.

A produção do Karmann Ghia conversível foi limitada, com estimativas apontando para 169 a 177 unidades fabricadas até 1971. Não existem números oficiais divulgados pela Volkswagen ou pela Karmann. Essa raridade, somada ao charme e à história do modelo, faz com que um Karmann Ghia conversível legítimo seja uma peça de altíssimo valor no mercado de carros clássicos nacionais, ocupando um lugar de destaque em qualquer coleção.

Ficha Técnica e Valor Histórico

O Karmann Ghia conversível possuía um motor traseiro longitudinal de quatro cilindros boxer, com 1.493 cm³ e carburador de corpo simples, entregando 52 cv de potência. Seu câmbio era manual de quatro marchas e a tração, traseira. As dimensões eram compactas, com 414 cm de comprimento, 163 cm de largura e 133 cm de altura, pesando 860 kg.

Em maio de 1970, o preço de um Karmann Ghia conversível era de Cr$ 17.971. Atualizado pelo IGP-DI em agosto de 2020, esse valor chegaria a R$ 128.849, evidenciando o alto valor agregado e o prestígio que o modelo ostenta até os dias de hoje, como um verdadeiro tesouro automotivo brasileiro.