Renault Acaba com a Ampere como Empresa Separada: Nova Estratégia para Veículos Elétricos e Software em 2026

Renault Revê Estratégia para Elétricos e Software

A Renault anunciou uma mudança significativa em sua estrutura corporativa, decidindo encerrar a Ampere como uma unidade de negócios independente. A divisão, que foi criada com o intuito de concentrar o desenvolvimento de veículos elétricos e software, será totalmente reintegrada ao Grupo Renault. Essa decisão, que entra em vigor a partir de julho de 2026, é liderada pelo CEO François Provost e faz parte de um plano mais amplo para simplificar a organização e otimizar os custos operacionais.

A notícia, confirmada por fontes sindicais e repercutida por veículos como Reuters e Automotive News Europe, representa uma guinada na estratégia anteriormente delineada pelo ex-CEO Luca de Meo. O cancelamento do plano de IPO (Oferta Pública Inicial) da Ampere, em janeiro de 2024, já indicava dificuldades, principalmente devido ao cenário de enfraquecimento do mercado de veículos elétricos, tornando a manutenção de uma estrutura separada menos justificável.

A Renault assegura que, com essa reorganização, não haverá cortes de pessoal expressivos e que a produção das linhas de veículos elétricos seguirá normalmente. A integração visa eliminar redundâncias administrativas que surgiram com a criação da Ampere, mantendo o objetivo ambicioso de reduzir os custos de produção de veículos elétricos em até 40% até 2027-2028, agora sob uma gestão unificada e mais eficiente.

Reintegração de Fábricas e Foco em Software

Com a decisão, fábricas importantes para a produção de veículos elétricos, como a unidade de Douai, responsável pelo popular Renault 5 elétrico, e a planta de Cléon, que fabrica os motores elétricos, retornarão ao controle direto da montadora. Essa centralização administrativa tem como objetivo principal eliminar duplicações e otimizar recursos, sem comprometer as metas de redução de custos.

A área de desenvolvimento de software, crucial para o futuro da indústria automotiva, continuará a ter um núcleo dedicado. Cerca de 1.000 engenheiros permanecerão focados no desenvolvimento de veículos definidos por software (SDV), mantendo o nome interno Ampere para essas atividades. Mesmo com o fim jurídico da divisão, seu legado é visível em projetos de sucesso como o Renault 5 elétrico, que tem apresentado bons resultados de vendas na Europa, e no desenvolvimento do novo Twingo, projetado para ter um preço abaixo de 20 mil euros.

Ajustes e Nova Direção Estratégica

A Ampere emprega atualmente cerca de 11 mil pessoas. A marca Renault garante que o encerramento da divisão não resultará em demissões em massa, apostando em programas de aposentadoria antecipada para eventuais ajustes pontuais no quadro de funcionários. A decisão de encerrar a Ampere, somada ao fechamento prévio da unidade Mobilize, sinaliza uma nova fase para a Renault, com foco em uma estrutura mais enxuta, maior eficiência operacional e uma execução mais direta de seus projetos estratégicos.

A reintegração da Ampere à estrutura principal do Grupo Renault busca consolidar o desenvolvimento e a produção de veículos elétricos e tecnologias de software sob uma única liderança, visando agilidade e sinergia. A montadora francesa reitera seu compromisso com a eletrificação, mas sob um modelo organizacional simplificado e mais robusto para enfrentar os desafios do mercado automotivo global.