Carros Elétricos e Híbridos Importados: Imposto de Importação Atinge 35% em Julho de 2026, Impactando Preços no Brasil

Aumento do Imposto de Importação para Eletrificados em 2026

Prepare-se para uma mudança significativa no mercado de carros elétricos e híbridos no Brasil. A partir de julho de 2026, o imposto de importação para esses veículos atingirá 35%, marcando o ápice de um cronograma gradual iniciado no final de 2023. Essa medida, solicitada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), visa proteger a indústria nacional e incentivar a produção de veículos eletrificados em território brasileiro.

A estratégia do governo federal é clara: criar um ambiente mais favorável para as montadoras que já operam ou planejam instalar suas fábricas no Brasil, desestimulando a dependência de modelos importados. Com a alíquota de 35%, a diferença de custo entre importar um veículo e produzi-lo localmente se tornará um fator decisivo na escolha do consumidor.

A Anfavea argumenta que a medida é crucial para evitar um desequilíbrio no mercado, onde modelos importados, muitas vezes com preços mais competitivos, poderiam prejudicar o desenvolvimento e a sustentabilidade das fábricas brasileiras. Essa política tributária busca, portanto, nivelar a competição e impulsionar a economia interna através da geração de empregos e do adensamento da cadeia produtiva automotiva no país.

O Cronograma de Aumento e Seus Impactos

O aumento do imposto de importação para carros elétricos e híbridos não ocorreu de uma vez só. Desde julho de 2025, uma tabela intermediária de tributação já está em vigor. Atualmente, os híbridos convencionais (HEV) são taxados em 30%, os híbridos plug-in (PHEV) em 28%, e os elétricos a bateria (BEV) em 25%. Essa fase serviu como um prelúdio para o aumento final.

A partir de julho de 2026, essas distinções por tipo de eletrificação serão eliminadas na importação plena. Todas as categorias de veículos eletrificados importados terão a alíquota unificada de 35%. Essa mudança representa um **aumento significativo no custo final para o consumidor**, tornando os modelos importados menos atraentes em comparação com os produzidos no Brasil.

Aceleração da Produção Nacional e Estratégias das Montadoras

Diante do cenário tributário em evolução, diversas montadoras, especialmente as chinesas, estão acelerando seus planos de produção no Brasil. A BYD, por exemplo, já iniciou a montagem de veículos em sua fábrica em Camaçari (BA). A GWM inaugurou sua planta em Iracemápolis (SP) em agosto de 2025, com foco na produção nacional da linha Haval H6.

Outras marcas buscam soluções alternativas. A Geely firmou uma joint venture com a Renault para utilizar a fábrica em São José dos Pinhais (PR), com o objetivo de produzir dois modelos em 2026. MG e GAC estão explorando a terceirização da montagem de seus veículos.

A Chevrolet adotou a estratégia de montagem terceirizada para modelos como o Spark EUV e o Captiva EV, garantindo que estes não sofram diretamente com o aumento do imposto. A Comexport, em Horizonte (CE), é responsável pela montagem desses veículos em uma linha de montagem multimarcas.

A Vantagem da Produção Local e Seu Prazo de Validade

A produção local, mesmo em regimes como CKD (completamente desmontado) ou SKD (parcialmente desmontado), oferece uma vantagem tributária significativa. Atualmente, a alíquota para esses kits varia entre 16% e 18%. Essa é uma janela de oportunidade para as montadoras que buscam mitigar os custos de importação.

No entanto, essa vantagem também tem um prazo. A partir de janeiro de 2027, a tributação para kits CKD/SKD de veículos eletrificados também será elevada para 35%. Isso exigirá um **aumento progressivo no índice de nacionalização de peças**, forçando as montadoras a investirem ainda mais na cadeia de suprimentos local para manterem a competitividade.

O aumento para 35% nos carros elétricos em 2026 redesenha o cenário competitivo. Marcas que dependem exclusivamente da importação terão suas margens de lucro reduzidas ou precisarão repassar o custo aos consumidores. A medida é vista como um passo importante para fortalecer a indústria automotiva brasileira e incentivar a adoção de tecnologias mais limpas produzidas localmente.