O Nascimento de um Ícone Esportivo
A década de 1980 foi marcada por desafios econômicos no Brasil, mas também por uma efervescência no mercado automotivo de luxo e esportividade. Em 1989, a General Motors apresentou ao mercado brasileiro um lançamento que viria a se tornar um marco: o Chevrolet Kadett. Mais do que um novo modelo, o Kadett representou o primeiro projeto totalmente novo da GM em cinco anos, e sua versão esportiva, a GS, rapidamente capturou a atenção dos entusiastas.
O Kadett GS não era apenas um rosto bonito, ele prometia entregar um desempenho que o colocava em um patamar superior aos seus concorrentes diretos da época. Em testes realizados pela QUATRO RODAS, o modelo alcançou a impressionante marca de 171,1 km/h, superando a maioria dos carros nacionais e ficando atrás apenas de modelos de maior cilindrada ou com tecnologias mais avançadas, como a injeção eletrônica do Gol GTi.
O 0 a 100 km/h era cumprido em 11,26 segundos, um tempo notável para um carro com motor 2.0 a álcool. A elasticidade do motor e o baixo nível de ruído interno contribuíam para uma experiência de condução refinada, desmistificando a ideia de que carros esportivos precisavam ser desconfortáveis. A estabilidade era um ponto forte, demonstrando um equilíbrio entre esportividade e civilidade, conforme apurado pela QUATRO RODAS.
Design e Aerodinâmica Inovadores
O visual do Kadett GS era um capítulo à parte. Com um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,30, o menor entre os carros nacionais, o modelo se destacava pela eficiência. Detalhes como os vidros colados à carroceria, limpadores de para-brisa com aletas e a ausência de calhas de chuva contribuíam para essa performance aerodinâmica.
Externamente, o Kadett GS ostentava um aerofólio traseiro discreto, mas eficaz, além de saídas de ar no capô que conferiam um ar mais agressivo. As lanternas traseiras frisadas e a ponteira de escapamento dupla complementavam o pacote esportivo. Os faróis de neblina integrados ao para-choque, na cor do veículo, reforçavam o design moderno e harmonioso.
Conforto e Tecnologia no Interior
Por dentro, o Kadett GS surpreendia com um acabamento sofisticado e focado no conforto do motorista e passageiros. Os bancos esportivos ofereciam bom suporte e contavam com ajuste de altura, assim como o volante de três raios. O painel de instrumentos, com fundo vermelho, trazia um diferencial com o vacuômetro, o check control e o computador de bordo, elementos que agregavam valor e tecnologia.
Embora itens como ar-condicionado, direção hidráulica e pintura metálica fossem opcionais, o grande destaque tecnológico era a suspensão traseira pneumática opcional. Essa inovação permitia ajustar a altura do veículo, especialmente útil quando o porta-malas estava carregado, garantindo conforto e estabilidade em diferentes condições de uso.
Desafios e Evolução do Consumo
Apesar de todas as qualidades, o Kadett GS enfrentou críticas iniciais relacionadas ao consumo de combustível. As relações curtas de câmbio e diferencial, embora favorecessem o desempenho em baixas velocidades, resultavam em um consumo elevado em estradas. A 120 km/h, por exemplo, o consumo era de 7,19 km/l, e o tanque de 47 litros limitava a autonomia a menos de 350 km.
A Chevrolet respondeu a essas críticas em meados de 1990, introduzindo modificações que incluíram uma versão movida a gasolina, o alongamento da relação final de transmissão e o uso de pneus de perfil mais alto. Essas alterações, embora tenham tornado o GS ligeiramente mais lento, melhoraram significativamente o conforto em viagens e a eficiência de consumo.
Legado e Sucessão
O Kadett GS permaneceu em linha até o final de 1991, quando deu lugar ao Kadett GSi, que trouxe a injeção eletrônica, aposentando o carburador e elevando ainda mais o patamar de desempenho e tecnologia. O exemplar de 1991, por exemplo, foi o primeiro GM a oferecer teto solar no Brasil, um marco adicional. A influência do GS foi tão grande que muitos proprietários replicaram sua decoração externa em modelos comuns, o que, em alguns casos, acabou descaracterizando esses exemplares históricos.
O Chevrolet Kadett GS não foi apenas um carro, foi um divisor de águas que mostrou ao mercado brasileiro que era possível unir esportividade, conforto e tecnologia de ponta, estabelecendo um novo padrão e deixando um legado duradouro na história da indústria automotiva nacional.

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