Nos anos 80, o Brasil vivia um período de mercado fechado para importações, o que impulsionou a criatividade de empreendedores nacionais. Um dos exemplos mais notáveis foi Antonio Carlos de Bugelli Avallone, um piloto e construtor de carros de corrida com um espírito inovador.
Ele decidiu transformar o popularíssimo Volkswagen Fusca em um cobiçado conversível, batizado de Avallone Cabriolet. A ideia era suprir a demanda por carros abertos, inspirando-se no clássico conversível alemão, mas com um toque brasileiro de exclusividade e qualidade.
Conforme divulgado em matérias da época, o Avallone Cabriolet não era apenas um Fusca sem teto, mas sim uma obra de engenharia que buscava replicar a qualidade e os detalhes do modelo original alemão, oferecendo uma experiência única aos poucos que puderam adquiri-lo.
A Inspiração Alemã e o Toque Brasileiro
O primeiro Fusca conversível, fruto da colaboração entre Ferdinand Porsche e Wilhelm Karmann, começou a ser produzido na Alemanha em 1949. No Brasil, a Aciei (Avallone Comercial, Industrial, Exportadora e Importadora), já renomada pela réplica premiada do MG TF, o Avallone TF, apresentou o seu conversível em 1980, aproveitando a conjuntura do mercado fechado.
Engenharia e Reforços Estruturais
Para compensar a perda de rigidez torcional pela ausência do teto, a Aciei implementou reforços estruturais inspirados no projeto alemão original. A parte central da carroceria era fixada em quatro colunas de aço robustas, conectadas a uma plataforma metálica dobrada e aparafusada ao chassi original do Fusca. Essa atenção à estrutura garantia maior estabilidade ao veículo.
Acabamento e Personalização Exclusiva
O capricho se estendia aos detalhes, com vidros gravados com o nome do fabricante e molduras de acionamento rápido. A capota de curvim oferecia um bom isolamento acústico. Cada Avallone Cabriolet era uma peça única, com amplas opções de personalização via Dacon, incluindo faróis auxiliares, rodas de liga leve, bancos de couro, sistemas de som e até motores mais potentes, como os fornecidos pela Dacon S/A.
O Caminho do Fracasso Comercial ao Tesouro de Colecionador
Apesar da qualidade e exclusividade, o Avallone Cabriolet não atingiu as metas de produção, com a previsão de 50 unidades mensais jamais se concretizando. A baixa demanda, os altos custos fixos e a forte recessão econômica do período afetaram a Aciei, que encerrou suas atividades em 1988. Contudo, essa raridade transformou o Avallone Cabriolet em uma peça de colecionador altamente valorizada, atingindo preços expressivos, muito distantes da sua origem como um “carro do povo”.
Ficha Técnica – Avallone Cabriolet 1980
- Motor: longitudinal, 4 cilindros opostos, 1.285 cm3, 2 válvulas por cilindro, comando de válvulas simples no bloco, alimentação por carburador de corpo simples.
- Potência: 46 cv a 4.600 rpm.
- Torque: 9,1 kgfm a 2.800 rpm.
- Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira.
- Dimensões: comprimento, 402,6 cm; largura, 154 cm; altura, 149,7 cm; entre-eixos, 240 cm; peso, não aferido.
- Pneus: 5,90 x 14.
- Preço em abril de 1980: Cr$ 290.000 (equivalente a R$ 107.600, segundo IGP-DI).
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