Hyundai pode perder fábrica na Rússia para sempre após venda simbólica de R$ 530; entenda o caso

A Hyundai, que já foi uma gigante no mercado automotivo russo, enfrenta a possibilidade de perder definitivamente sua fábrica em São Petersburgo. A planta, vendida em 2024 por um valor irrisório de 140 mil wons, o equivalente a pouco mais de R$ 530, possuía uma cláusula de recompra com validade de dois anos.

No entanto, o cenário atual, marcado pela continuidade da guerra na Ucrânia e pelas sanções internacionais, torna a retomada das operações pela montadora sul-coreana extremamente improvável. A expiração da cláusula em janeiro de 2026 acende um alerta para o futuro da presença da Hyundai na Rússia.

A fábrica, que chegou a produzir mais de 200 mil veículos por ano, incluindo modelos das marcas Hyundai e Kia, está parada desde março de 2022. Conforme informações divulgadas pelo Notícias Automotivas, a complexidade das sanções dificulta pagamentos, logística e impacta a reputação das empresas envolvidas.

Fim da linha para a Hyundai na Rússia?

Fontes próximas à Hyundai indicam que a empresa não está em condições financeiras ou operacionais para exercer a cláusula de recompra. Embora a montadora afirme que uma decisão definitiva ainda não foi tomada, a realidade é que o contexto geopolítico e econômico na Rússia se tornou um obstáculo intransponível.

A planta de São Petersburgo já opera sob nova direção, montando veículos da marca Solaris, um nome familiar para os consumidores russos, que remete a um modelo popular da própria Hyundai. O governo russo tem incentivado a transição de fábricas estrangeiras para empresas locais, muitas delas agora produzindo modelos chineses sob novas bandeiras.

O vácuo deixado pelas montadoras ocidentais

A saída de montadoras ocidentais e asiáticas da Rússia abriu espaço para a ascensão das marcas chinesas. Em 2024, as fabricantes chinesas registraram vendas expressivas, alcançando quase 1 milhão de carros em um mercado total de 1,57 milhão de veículos. Isso demonstra a rápida reconfiguração do setor automotivo russo.

Outras montadoras internacionais também enfrentam situações semelhantes. A Mazda já perdeu seu direito de recompra de uma fábrica em parceria com a Sollers. Renault, Nissan, Ford e Mercedes-Benz ainda possuem opções de retorno, mas os prazos e a instabilidade do mercado geram incertezas.

Um adeus definitivo para a Hyundai?

A Toyota e a Volkswagen optaram por vender seus ativos na Rússia sem direito de recompra, selando seu abandono do mercado. Com o tempo se esgotando e a situação geopolítica sem sinais de melhora, a probabilidade de a Hyundai, outrora líder no mercado russo, retornar às suas operações no país diminui a cada dia.

A antiga força da Hyundai e Kia no mercado russo é notável. Em 2019, juntas, as duas marcas detinham cerca de 23% do mercado, superando até mesmo a Avtovaz, proprietária da Lada. A guerra na Ucrânia e as sanções subsequentes mudaram drasticamente esse cenário, evidenciando a fragilidade das operações globais diante de conflitos internacionais.

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